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A busca pela casa dos sonhos. Enquanto ele percorria alguns de seus bairros favoritos de São Paulo, ela não desgrudava os olhos dos anúncios na internet. O casal buscava um lar confortável para viver com os filhos. Um dia, quando os dois menos esperavam, uma oferta publicada em um site especializado os fez sorrir para a tela do computador. Lá estava ela: uma residência antiga, ampla e com grande potencial. O coração bateu mais forte e a ansiedade tomou conta – eles logo marcaram a visita. Bastou estacionar o carro para os dois terem a certeza de que era ali que gostariam de viver. “Ficamos apaixonados pela porta da frente e pela escada de madeira. Depois, nos impressionamos com a qualidade da construção”, relembra a proprietária.

Erguida na década de 1950, a casa precisava de reparos e uma nova roupagem. O casal optou pela técnica do retrofit, um tipo de reforma que mantém as características originais do imóvel. O convocado para o trabalho foi o arquiteto Flavio Cunha, do escritório SET Arquitetura, que reservou um cuidado especial à fachada. Feita com madeira caviúna, a porta de entrada foi lixada e recebeu fechaduras novas, além de verniz transparente para conservar a tonalidade. A maior parte das janelas também foi recuperada, bem como as molduras de cimento, que revelam o estilo vitoriano. A antiga laje, utilizada como cobertura para a garagem e terraço saiu de cena, evidenciando os traços da morada.

O hall de entrada conecta e distribui os ambientes. Para aproveitar a sua área e integrá-lo à sala de estar, o arquiteto Flavio Cunha abriu o vão de passagem com 2m de largura. A parede ao fundo foi descartada e deixou à mostra os tijolos antigos, que têm proporções maiores do que as peças atuais. “Trabalhamos com iluminação direcionada para focar a nobre escada e a textura aparente da alvenaria”, comenta Flavio Cunha. A integração entre os dois espaços fica por conta da porta-balcão, que se abre totalmente, formando um ambiente único.

PLANEJAMENTO REDUZ GASTOS EXTRAS

As instalações elétricas, hidráulicas e as tubulações de gás foram atualizadas, o que costuma encarecer a obra. No entanto, o bom planejamento possibilitou que a conta fechasse em um valor compatível ao bolso dos moradores: R$ 2.100 o m², incluindo demolições, retirada de entulho, acabamento e marcenaria. O reaproveitamento de elementos, como o piso de madeira peroba-rosa, trouxe economia ao orçamento e ainda manteve a nobreza dos materiais originais da casa, típicos da época da construção. O garimpo feito pelos moradores também teve bons reflexos no custo final. O papel de parede do lavabo, por exemplo, comprado em uma viagem aos Estados Unidos, custou R$ 840 o rolo.

ESPAÇO GOURMET BEM PLANEJADO

O arquiteto Flavio Cunha aproveitou os fundos do terreno para ampliar a casa em 2,75 m. Assim, foi possível aumentar a cozinha e integrá-la ao novo espaço gourmet. O ambiente é equipado com pia de inox (0,90 x 2 x 0,60m), da Mekal, torneira de parede da linha Piatto, da Fabrimar, e piso de porcelanato, linha Broadway, da Portobello. Uma janela passa-pratos (2,05×0,30×0,60m), interliga os ambientes, que podem ser isolados graças à janela pantográfica instalada no vão. Para facilitar e concentrar as atividades, o fogão de cinco bocas foi embutido na bancada, em um espaço de 0,78 x 0,60m. Funcional, o projeto de marcenaria inclui móveis de MDF e prateleiras de madeira peroba-rosa. O colorido fica por conta dos ladrilhos hidráulicos vermelhos (20 x 20 cm), que custaram R$ 80 o m²a Vianarte.